SATA disponivel para negociar, evitando a greve

A administração da transportadora aérea SATA garantiu hoje estar disponível para negociar com O SINTAC, que convocou nova greve para esta semana, mas sublinhou que não pode haver "dois regimes" salariais na empresa.

 

A SATA tem "todo o gosto em negociar" com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), "como com qualquer outro sindicato", mas não o faz com pré-avisos de greve ou paralisações em curso, disse à Lusa o presidente do Conselho da Administração da transportadora aérea dos Açores, Luís Parreirão.

A direcção da SATA está assim disponível para negociar com o SINTAC depois da greve que começa na quarta-feira ou se a paralisação for suspensa, acrescentou.

O administrador revelou, a este propósito, que a empresa chamou todos os sindicatos que representam trabalhadores da SATA (incluindo o SINTAC) para uma reunião negocial a 01 de Julho sobre a aplicação do Orçamento do Estado de 2014 na transportadora, depois do chumbo do Tribunal Constitucional (TC) aos cortes salariais.

Também na sequência do acórdão do TC, a empresa pagará já este mês os subsídios de férias e os salários integralmente, sem cortes, afirmou.

Em relação ao conflito com o SINTAC, sublinhou que a SATA assinou em 2013 um acordo com todos os sindicatos que na altura representavam trabalhadores da empresa que teve como objectivo compensá-los, ainda que parcialmente, pelos cortes previstos no Orçamento do Estado.

Para isso, os trabalhadores aceitaram "dar contrapartidas", como uma maior "flexibilidade" a nível da organização do trabalho.

Posteriormente, referiu ainda Luís Parreirão, um grupo de trabalhadores mudou de sindicato e filiou-se no SINTAC, o qual comunicou que estes funcionários não aceitam "o princípio de dar contrapartidas" para ter essa compensação salarial, reivindicando a aplicação do mesmo acordo que foi conseguido na TAP.

A SATA não pode, no entanto, aceitar esta reivindicação, sublinhou o administrador, dizendo que é "uma empresa de palavra", que respeita os acordos que assina e não pode, além disso, "ter dois regimes" a vigorar.

Como os trabalhadores do SINTAC não estão a dar as "contrapartidas" previstas no acordo, também não estão a receber as compensações salariais correspondentes, mas "todos foram avisados individualmente das consequências daquilo que estavam a pedir", destacou Luís Parreirão.

O SINTAC já fez quatro greves parciais por causa deste conflito, tendo convocado uma nova, agora a tempo inteiro, para o período entre 18 e 28 de Junho.

O sindicato acusa a empresa de ter regredido a carreira e reduzido o vencimento dos trabalhadores que mudaram de sindicato.

Filipe Rocha, do SINTAC, admitiu hoje que a greve terá "uma dimensão considerável e vai ter impacto na economia da região".

Também Luís Parreirão admitiu algumas perturbações por causa da greve dos trabalhadores do SINTAC, cuja maioria é composta por pessoal de terra.

Além de terem sido definidos serviços mínimos, a empresa está também a "adotar medidas" para evitar o mais possível "transtornos" aos passageiros, acrescentou.

Quanto às perturbações que têm sido noticiadas em voos de longo curso da SATA Internacional, Parreirão garantiu que estarão resolvidas "nos próximos dias", explicando que estão relacionadas com "algumas dificuldades" a nível de tripulações. Segundo afirmou, já foi contratado mais pessoal para voar, que está em formação.

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