Miguel Quintas considera "um ataque e uma afronta" a Click2Portugal

Um dia após o lançamento da plataforma Click2Portugal, Miguel Quintas, empresário do sector do turismo, veio considerar "mais um ataque e mais uma afronta aos agentes de viagens".

 

O empresário referiu publicamente na sua página de facebook que "à AHP - Associação da Hotelaria de Portugal: entendo a necessidade de procurar maximizar o lucro. A forma mais rápida é cortar na intermediação e chegar ao cliente final directamente".

No entanto "as palavras são fortes contra os parceiros tradicionais dos hotéis (centrais de hotelaria, operadores turísticos e todas as agências de viagens) e os actos falam mais ainda alto que aquelas".

Miguel Quintas pediu aos hoteleiros que recordassem que "um estudo recente da ETSSA indica que a venda directa da hotelaria resulta num ganho adicional de 0,03%. Uma fortuna, portanto! E que adicionalmente 87% das suas vendas são realizadas pelos primeiros 15 canais de distribuição". Perante isto "fará sentido criar mais uma guerra com os parceiros de distribuição? E já agora, tem a AHP capacidade de promover o site?"

 

Excluindo a actividade económica "os hotéis são empresas e portanto estão no seu enorme e total direito de decidir como, quando, onde e a quanto vender". Perante isto "está também, portanto, a AHP no direito de promover a venda directa, defendendo os interesses dos seus associados. Nada a dizer na perspectiva de direitos". No entanto "tudo a dizer na perspectiva de quem vende 87% dos seus alojamentos segundo aqueles dados recentes". Ou seja "o setor dos operadores turísticos, centrais de reservas e agências de viagens no direito de se defender e proteger também o seu negócio. O mercado avaliará e decidirá", vincou Quintas.

 

Quanto ao parceiro principal da plataforma, o Turismo de Portugal (TP): "estimo muitíssimo o trabalho realizado pelo TP nos últimos anos. Tem sido fantástico. Tenho publicamente e através de artigos, confesso, louvado o seu trabalho". Mas "está profundamente errado ao promover uma plataforma de reservas como a da Click2portugal, da AHP". Sublinhando que "não pode, não deve nem têm o direito de promover uma plataforma de reservas que compete com tantas outras existentes no mercado no seu site (que afinal é de todos nós)". Miguel Quintas questiona "qual o critério de usar A em detrimento de B, C, D... Qual o critério de usar os meus impostos para promover o meu concorrente na sua página institucional? Qual o direito de se arrogar a promover uma plataforma que está muito longe de ser agregadora de toda a nossa hotelaria? (São apenas 300!). Qual o direito de excluir quem não pertence ou não quer pertencer à AHP e portanto figurar na plataforma? Como lida com os hoteleiros automaticamente excluídos? Não será uma descriminação selectiva inaceitável do ponto de vista político e institucional? E mais uma: se simplesmente por razões económico-empresariais o meu hotel não quiser estar presente, mesmo sendo associado da AHP?"

O empresário deixa uma mensagem ao Turismo de Portugal "se fosse um desígnio nacional... ainda se poderia tentar entender, mas afinal é uma trapalhada. Enfim, ainda vai a tempo e corrigir a mão".

 

Tal como o Jornal Hardmusica noticiou a Associação Portuguesa dos Agentes de Viagens e Turismo (APAVT), nada fez desde o anúncio em Maio até à apresentação, no dia 09 de Outubro,. Miguel Quintas dirige-se "à APAVT: Lamento ter que colocar o dedo na ferida da minha associação, mas não dá para estar sempre a assistir calado. O seu silêncio é ensurdecedor. Há muitos, muitos anos que a AHP tem este projecto em mãos. Não é segredo para ninguém". E "o facto de ter saído a público com o alto patrocínio do TP vem ainda colocar mais a nu a fragilidade das relações institucionais existentes entre a APAVT a AHP e a APAVT e o TP". Trata-se de "mais uma constatação da incapacidade de defender o seu sector e de alheamento dos desafios permanentes que nos assolam". Mas "também se pode dar o caso de andar distraída... espero que não. As agências de viagens, mais uma vez prejudicadas, sofrem um novo ataque directo ao seu negócio, tendo a hotelaria nacional, pela mão da AHP, intentar contra a sua actividade. Da APAVT continuo a esperar mais. Muito mais. Mas não mais do mesmo".

 

Para concluir Miguel Quintas afirmou "que são as agências de viagens (outgoing, incoming e online), as centrais hoteleiras e os operadores turísticos que enchem os hotéis. Estejam em Portugal ou fora dele. Lamento informar a AHP e o TP (e a APAVT, já agora), mas por enquanto ainda é assim. Quando os hotéis necessitarem de vendas no próximo Verão (porque já sabemos que as vendas nacionais irão cair), pergunto para quem se vão virar? Para a click2portugal? Para o Turismo de Portugal? Para o céu? Ou precisamente para quem lhes enche os hotéis? Vale a pena pensar nisto".

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