No Algarve cobram 16 euros/hora para limpar apartamentos turísticos

No Algarve cobram 16 euros/hora para limpar apartamentos turísticos

No Algarve cobram 16 euros/hora para limpar apartamentos turísticos D.R.

A grande oferta turística, com a multiplicação de casas em alojamento local, fez aumentar bastante os preços na limpeza dos apartamentos turísticos.

O negócio dos apartamentos, onde a arrumação e a limpeza funcionam como o primeiro cartão-de-visita, arranjar quem faça bem este trabalho é cada vez procurado. Por esse motivo quem se preta para fazer tais serviços, já pede valores bastante altos.

Segundo o Dinheiro Vivo, há já quem só consiga arranjar trabalhadores a pagar 14 euros à hora, o dobro do preço dos anos de crise, e, no Algarve e em Lisboa, começa-se a cobrar não pelo tempo mas pelo metro quadrado dos apartamentos.

Nuno Mateus e a mulher têm as horas de receber e se despedirem dos clientes, dos seis apartamentos e duas moradias que gerem em Albufeira, coordenadas de forma a conseguirem tratar eles próprios das limpezas e da recepção dos hóspedes. Embora algumas vezes não tenham hipótese de chegar a horas a todo o lado. Para essas "falhas" têm de encontrar alguém que os substitua. Se nos anos da crise conseguiam pagar entre 8 e 10 euros à hora, "hoje já ninguém trabalha por menos de 12 euros e já há quem peça 15 e 16 euros", contou o proprietário ao Dinheiro Vivo.

Mas também existe quem tenha mais "sorte" e "ainda consiga, mesmo no Algarve, encontrar quem faça a limpeza por valores ligeiramente mais baixos, como mostram os comentários dos que decidiram participar numa pequena consulta sobre preços lançada no grupo do Facebook Proprietários do Alojamento Local, citada pelo Dinheiro Vivo. Mesmo assim, os valores praticados são suficientes para que, assinala Nuno Mateus, quem, durante o Inverno, ganha 40 dias por ano na agricultura se vire para este sector nos meses em que a procura dos turistas se multiplica.

Em Lisboa, os preços não são tão elevados, rondando os oito euros/hora, mas com cenário idêntico. "O paradigma mudou completamente nestes últimos anos", garante António Nobre, que começou no alojamento local há seis anos, com um apartamento próprio e que actualmente tem 15. É possível crescer e aumentar o número mas não quer, nem pode. Sabendo que a "a limpeza é a primeira coisa para que os clientes olham quando entram numa casa". Ou seja, que deste primeiro olhar pode resultar um comentário mais ou menos positivo que, por sua vez, desce ou promove a visibilidade de um alojamento local nos sites de reserva. Para fazer face a esses custos/problemas, António Nobre decidiu há alguns anos criar uma empresa e ter os seus próprios empregados, segundo noticia do Dinheiro Vivo.

Como "neste momento cada um pede o que lhe apetece e há já quem cobre ao metro quadrado", ter trabalhadores próprios está a revelar-se uma opção cada vez mais acertada. Mas a dificuldade em arranjar mais pessoas, tem-lhe feito recusar novos pedidos para "tomar conta" de casas. Luís Fernandes, com oito apartamentos a seu cargo, tem contornado esta inflação de preços recorrendo a jovens estudantes, que veem aqui uma forma de ganhar uns euros extra. "Mas é preciso ensiná-los e dizer bem o que é necessário". Ou a coisa corre mal, explicou ao Dinheiro Vivo.

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