Kendrick rege no Super Bock Super Rock!

sábado, 16 julho 2016 16:55 Escrito por 

O Palco Super Bock Super Rock encheu para Kendrick, aderiu ao Kendrick, e foi um público sem igual para a hora e tal em que tocou. King Kendrick não deixa dúvidas que em Portugal o hip hop tem pernas, corpo, cabeça e alma.

Como no ano passado, o melhor dia ficou para o fim, para o fechar o palco principal do último dia do Super Bock Super Rock. Depois deste será difícil de ignorar o público de hip hop em Portugal. Estavam a encher salas e concertos por muitos anos, dos grandes (Chance The Rapper no Sumol Summer Fest do ano passado) aos pequenos (Kirk Knight no Zé dos Bois). Também os Portugueses têm recebido muito amor, viu se em muitos concertos de Capicua, e no de Nerve ao inicio do ano. Mas desta vez foi o MEO Arena. A maior sala de Portugal. Hip Hop é relevante, e o público quer mais. Cada concerto de hop hop e até o de R B que houve encheram, começando com Slow J. Ainda bem que o cabeça de cartaz de Compton, California deu aos fãs dos melhores concertos do ano, e para isso só precisou de quatro músicos e muita energia.

Para acabar a noite DJ Ride tocou uns temas de hip hop populares (Rihanna, Kanye), uns perto do popular tipo Schoolboy Q e Anderson .Paak, e fez flirte com o dubstep no meio disso tudo. Fez muito scratch, como é de esperar, e passou imagens de muitas origens, filmes populares e menos populares, sci fi e até de vídeos de música. Acabou uma noite depois de um dos melhores concertos do ano com um concerto divertido e para dançar.

"Look Both Ways Before You Cross My Mind - George Clinton". Essa letra de Wesley's Theory, uma música tocada mesmo no fim do concerto, esteve escrito em grande por de trás do Kendrick Lamar todo o tempo. E que concerto que foi. O público não parava, chegou a um ponto em que Kendrick não conseguia falar por 3 minutos porque o público não parava de gritar. Entre "we gon' be alright!" e "Kendrick Lamar!", estava ele emocionado, e nós também. Quase cada música trouxe aplausos, saltos e gritos. Até momentos como ele pedir o público para cantar a palavra "complexion" com ele, envolveu o público. Mesmo assim houve momentos marcantes. Esses foram a música i, a Bitch, Don't Kill My Vibe, Backstreet Freestyle, Alright, M.A.A.D City e a primeira música que pôs o público todo aos pulos: untitled 07 | Levitate (uma das músicas do ano).

A i foi um momento mesmo comovedor, veio na manta dos 3 minutos em que o Kendrick não falou com o público em alta, e ouvir todos a gritarem "I Love Myself!!!"não dava para ficar indiferente. O Kendrick é dos artistas com mais qualidade do momento, nas letras, na música, no entusiasmo e na performance. É um artista que pensa profundamente sobre tudo que faz, e tem uma intuição excelente. Ver tudo isto neste momento de auge da sua carreira com o álbum do ano de 2015, foi algo excepcional.

"Se há uma festa deste lado" aponta para o lado esquerdo da plateia, "e há uma festa deste lado" aponta para o lado direito, "então ponham todos as mãos no ar, guardem os telemóveis, parem de fotografar e saltem" Lendas do jazz rap são exigentes! De La Soul fazem sentir as batidas dos 90's para a hora inteira em que tocaram, uma aula nas bases de hip hop, alternative hip hop, uma aula em fazer o público o mais barulhento possível. Uma aula dos O.G.'s. Já não são os mais novos, mas trabalham lindamente em conjunto para trazer, sem quaisquer adereços, o melhor concerto que conseguem. Os momentos altos foram Me, Myself and I e definitivamente o Ring Ring Ring, aonde todos se juntaram a cantar com eles. Para acabar ainda cantaram as suas partes da música Feel Good Inc dos Gorillaz, a qual o público reagiu muito positivamente. Não foi o concerto que mais queriam ver, via se nas reacções, mas apreciaram um bom bocado.

Começaram atrás de um pano branco parcialmente transparente, os 5 membros no seu mundo. Depois do pano cair continuavam no seu mundo, um mundo composto por sons antigos e novos, nacionais e internacionais, de scratching e soul e hip hop e trip hop e plunderphonics. O hip hop instrumental tomou posse do palco Super Bock com os Orelha Negra a apresentarem-se com energia e concentrados. O público aderiu. A bateria definia o ritmo, o sintetizador a melodia e os dois djs o estilo, e só dava para dançar, mexer ou pelo menos oscilar. Ouviu se The Notorious B.I.G., Drake e Regula, e todos receberam aplausos quando reconhecidos, com batidas mais doces. E para ouvir isto o público na plateia foi comparável (só pouco menos) que o do segundo dia deste festival nos cabeças de cartaz. Ainda vêm lendas do jazz rap e um dos maiores rappers da actualidade. Vai encher.

Um concerto emotivo foi convocado no palco EDP com Kelela. Tinha o palco só para si (o DJ fora do caminho) e por isso havia espaço para se mexer e dançar, e usou o bem, com sensualidade e força. Batidas de R B alternativo, mais nebulosas e grossas, e uma voz bonita e expressiva. Há pessoas que não conseguem estar sozinhas em palco, ela mostra estar em casa e num momento de sonho. Também de salientar como ela falou sem hesitação em inglês com o público, a motivá-los e a rir se com eles. "Dizem me que não devia de tocar baladas em festivais, mas quem não gosta de baladas não gosta de R B e quem não gosta de R B não gosta de mim".

O primeiro concerto do dia foram The Parrots, uma banda Espanhola de surf rock excêntrico. Como uma das quatro bandas em palco hoje fora da onda de hip hop/R B (com Salto, FIDLAR E GNR), começaram o dia com a energia certa para esta veia de música. O sabor de rock de garagem, imperfeito mas com raça, abre o apetite para tudo que vem aí!

Para começar o dia houve, tal como nos dias anteriores, um workshop guiado pelos Underdogs na plateia do palco principal. Aí os participantes foram convidados a pintar/fazer spray numa tela grande. Esta parceria com o Super Bock Super Rock é focada na arte urbana e pública, um colectivo que se encontra no Braço de Prata. Têm uma exibição também durante o festival no Pavilhão de Portugal. Foi bonito ver empenho artístico de participantes que nunca o fizeram antes.

Bem vindo ao último dia desta 22ª edição do Super Bock Super Rock! Hoje o dia é definido pelo hip hop, e está esgotado por causa dele. Recentemente o público de hip hop em Lisboa tem se mostrado mais e mais, e tem hoje um dia dedicado a eles no Parque das Nações. A grande estrela da noite é um rapper fora do vulgar, com os instrumentais mais virados para o jazz e o funk, e a usar spoken word e canto como técnicas, o Kendrick Lamar será algo especial, acompanhado por banda. De La Soul, lendas do jazz rap, Orelha Negra, estrelas do hip hop Português, Kelela, cantora de alternative R B e grime, The Parrots, garage rock/pop vindo da Espanha (conhecidos em Portugal como os Hinds masculinos) e DJ Ride, vencedor de um campeonato do mundo em scratch, serão seguidos aqui hoje.

Modificado em domingo, 17 julho 2016 15:15