Miguel Gameiro e Pólo Norte: Que venham mais vinte anos e em português

Miguel Gameiro e Pólo Norte comemoraram ontem no Coliseu dos Recreios em Lisboa os seus 20 anos de carreira num concerto recheado de nostalgia e alguns convidados como Mariza, Boss AC e Miguel Ângelo.

 Há vinte anos nasceu a banda Pólo Norte Pólo Norte, que marcou uma geração e que construiu temas intemporais como "Lisboa", "Grito" ou "Aprender a ser feliz" e que teve ontem uma calorosa recepção por parte de um público que demonstrou ser conhecedor do reportório, todo ele em português.


Com meia hora de atraso ao inicialmente previsto, Miguel Gameiro surgiu em palco com uma guitarra e sentou-se numa mesa de café, existente no palco. Ai e através de um iPad foram projectadas em imagens num ecrã gigante a história da banda, tudo isto enquanto ia efectuando a apresentação da história da banda.


Percurso recordado, histórias contadas, momento para saudar "Lisboa" trauteando estrofes do tema homónimo, um dos maiores êxitos da banda. Caiu a cortina que tapava a restante banda e ouvem-se os primeiros acordes de "Levanta o corpo".


O percurso nem sempre foi linear, prova disso são as alterações que ocorreram na banda desde a sua criação, mas o estilo, esse perpetua-se no tempo e acompanha toda uma geração que 20 anos depois leva aos concertos os seus filhos. A língua de Camões é cuidadosamente utilizada, os temas retratam estórias que todos nós já vivemos.


Miguel Gameiro é a voz da banda mas para o sucesso da mesma muito contribuiu António Vilas Boas, guitarrista e um dos fundadores da banda que acabou por sair do projecto mas foi ontem chamado a palco, Tiago Oliveira é também ele um guitarrista talentoso e foi um dos fundadores da banda. Ontem no Coliseu tudo funcionou bem, havendo a destacar ainda os sopros (trompete e trombone) que trouxeram garra aos temas e ainda o baterista que foi em alguns casos a alavanca para o público saltar das cadeiras.


Miguel Gameiro que para além de vocalista é um instrumentista virtuoso sendo no piano onde se destaca claramente, fazendo do mesmo uma extensão de si e da sua sensibilidade, um intérprete de afinação constante e um compositor ao nível dos melhores. As suas letras podem ser interpretadas a estilos musicais tão diversos como o Fado ou o Pop. Mas todas elas são elegantes na escrita e fogem ao fútil e ao vazio.


Ontem no Coliseu convidou o público para uma "Dança" em palco, ouviu em uníssono uma sala inteira cantar "Deixa o mundo girar", falou da "Pura Inocência" e num momento acústico fez uma retrospectiva com "Se eu voltasse atrás".


Nos convidados o destaque vai para a fadista Mariza, para quem Miguel Gameiro escreveu "O tempo não para". Em dueto e depois de decidirem quem iniciava o tema, quando chegou a vez de Mariza, a desafinação foi notória. Uma pena, num concerto que estava a ser gravado e que servia de comemoração. "Aquela Canção" acabou por atenuar o erro cometido na anterior e ai sim, o dueto foi de qualidade.


Momentos de apoteose e de grande energia em palco foram "Grito" com Miguel Ângelo e "O homem e a bala" com Boss AC que aproveitando uma letra de um tema seu para se despedir de Gameiro com "É sexta-feira Yeah..." perante gargalhadas da assistencia.


Entre ritmos dançantes e baladas, foi ao piano, que Gameiro antecedeu o encore com "O teu nome", uma letra que fala de amor, um tema que Miguel explora muitíssimo bem.


Regressou após fortes aplausos do público para antecipar "Sábado à noite" e terminar o concerto voltando ao inicio com "Lisboa", tema quase integralmente cantado apenas pelo publico e com os seus convidados em palco.


Foi uma festa bonita, simples, em que há a destacar a vitalidade com que a banda comemora duas décadas de vida contando com um público que todos os artistas adorariam ter, que deram um verdadeiro espectáculo, na comemoração daquela que é sem duvida uma das melhores bandas nacionais, cantando em português. Pena não terem esgoitado o Coliseu.


Como disse Miguel Gameiro, "se vocês não existissem não havia canções" pois " é incrível como fazemos uma canção e não precisamos de a cantar, talvez porque elas deixem de ser nossas e passem a ser vossas..."


Para hoje há um novo concerto, desta feita no Coliseu do Porto e tendo como convidados Boss AC, Mariza e Pedro Abrunhosa.

 

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