Artes Cicenses no Ensino Superior, para quando?

Vinte e três anos após a criação da Escola Profissional do Chapitô, o ensino das artes circenses em Portugal está num "impasse", perante sonho de oferecer formação superior, disse a presidente e mentora do projecto, Teresa Ricou.


"Estamos a tentar perspectivar para onde vamos, mas estamos num impasse para perceber a receptividade do país para as áreas culturais e de formação, oferecidas por uma organização não-governamental e instituição particular de solidariedade social", afirmou à agência Lusa em Londres.

Teresa Ricou esteve na capital britânica a participar na assembleia da Federação Europeia das Escolas de Circo (FEDEC), da qual o Chapitô é membro fundador.


Conhecida como "Teté", a primeira mulher palhaço portuguesa, Teresa Ricou admitiu poder vir a desistir da ambição de um dia criar um curso superior de artes circenses em Portugal, como já existe em França, Reino Unido, Finlândia ou Suécia.

"É um sonho, mas não sei se conseguimos concretizá-lo. É preciso fazer parcerias a nível universitário, mas falta apoio oficial e vontade política para reconhecer [as artes circenses] como uma manifestação artística, proporcionando um espaço e formação profissional", vincou.


O Chapitô - Colectividade Recreativa de Santa Catarina foi fundado em 1981, enquanto associação cultural sem fins lucrativos, com actividades culturais, sociais e educativas.


Desde cedo incluiu programas sociais, nomeadamente a ocupação de tempos livres, centro para crianças, apoio psicossocial ou a integração de jovens em situação de risco e vulnerabilidade social através das artes.


Em 1991, o Chapitô criou a Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo (EPAOE), com dois cursos de nível equivalente ao 12.º ano, "Artes e Animação Circense" e "Ofícios do Espectáculo".

Actualmente, frequentam as aulas cerca de 120 jovens, formando-se anualmente cerca de 40, muitos dos quais optam por sair do país para prosseguir os estudos, muitos deles em Londres, adiantou a directora.

O curso tem uma saída profissional, garante Teresa Ricou, de 88,9 por cento, porque os finalistas "são polivalentes".


O Chapitô oferece ainda cursos em horário pós-laboral para curiosos interessados em aprender, por exemplo, malabarismo ou sapateado, e especializações em teatro físico, de rua ou invisível, mastro chinês ou monociclo.


Mas a presidente do Chapitô afirma que os cortes na despesa pública se fizeram ressentir no financiamento ao Chapitô, que depende agora, em um terço, de fundos estatais.

A solução foi recorrer ao mecenato, mas ainda assim admite que o dinheiro chega "resvés" para a sobrevivência, o que trava também as ambições da instituição.


"Passamos mais tempo a pedir dinheiro do que a pensar e a reflectir nos programas artísticos e pedagógicos", desabafou Teresa Ricou, em declarações à Lusa.

 

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