Vera Mónica de regresso ao Teatro Maria Vitória na revista "Lisboa Amor Perfeito"

A peça retrata em muito a sociedade portuguesa e os tempos austeros que vivemos, que vão desde a batalha contra os mouros de D. Afonso Henriques até à entrada da troika em Portugal.

 

Vera Mónica regressou aos palcos do Maria Vitória para a revista "Lisboa Amor Perfeito", escrita por Mário Rainho e Flávio Gil. O elenco, composto ainda por Carlos Cunha, Paulo Vasco, Érica Mota, Flávio Gil, Élia Gonzalez, Ana Sofia Gonçalves, Nuno Pires, e Diogo Costa, interpreta várias cenas que retratam casos da vida política portuguesa.


Desde o caso dos submarinos até à a passagem a vice-primeiro-ministro, "Paulinho Portas" é uma das personagens, interpretada por Paulo Vasco, que mais aplausos e gargalhadas consegue arrancar à plateia, numa sátira à vida política de Paulo Portas.


Também os reformados e os cortes nas suas pensões estão representados neste teatro. Joaquim, 72 anos, reformado, é apresentado como alguém "esquecido" pela sociedade, deixado às portas da morte sentado num banco de jardim.

No geral, a peça é um instrumento para criticar o caminho que o Governo está a seguir, que está a obrigar à emigração de muitos e fazer com que os que já saíram não queiram regressar.


Vera Mónica considerou que o regresso ao Maria Vitória foi "um parto muito difícil, tive muitos poucos ensaios, mas fiz o meu melhor".
A actriz, que se estreou na revista com a peça "Até Parece Mentira", em 1974, considera que " o público de revista é um público normal, que gosta de revista".


Flávio Gil diz ter sido "muito importante e estimulante" poder ser um dos autores da revista. O quadro do reformado Joaquim surgiu porque Flávio Gil trabalha em acção social e sente que "a população de terceira idade está esquecida e entregue aos depósitos de idosos que são os centros de dia". O objectivo é fazer "um alerta para uma coisa que todos conhecemos mas que fazemos de conta que não vemos".

Em relação a um possível disco, Flávio Gil confessou que "gostava muito de gravar este ano, mas estou naquela fase em que tenho tudo menos o dinheiro". A fazer um disco, esse seria "de intérprete e não de cantor", porque o artista não se quer afirmar como cantor.


O actor Carlos Cunha referiu que o público do Maria Vitória "aceita bem este tipo de teatro, porque a revista tem tudo para agradar: bom ballet, boa música, um guarda-roupa muito feliz...tem tudo para agradar. Mas quem não gosta de carne, come peixe. Se não gostam de um texto, com certeza que vão gostar do outro".


Apesar da crise, Carlos Cunha referiu ser "importante" haver mais teatros a fazer revista, sublinhando ainda que não considera que o teatro Politeama faça concorrência ao Maria Vitória, uma vez que "já tem o seu público e a sua marca, tal como o Maria Vitória tem o seu público".

Esta visão é, de resto, partilhada também por Flávio Gil, Vera Mónica e Nuno Pires, havendo ainda a opinião de que "há também quem vá aos dois lados, ver as duas revistas". "Nenhum teatro tira público a outro, porque há públicos diferentes nos dois teatros, mas há também uma grande parte que gosta de ir a vários", acrescentou Flávio Gil.


Para Nuno Pires, o teatro de revista é uma estreia. "Estive nove anos à espera, vinha aos castings e diziam-me sempre que não, mas agora consegui".
A introdução à homenagem de Frederico Valério, compositor de muitas peças para o Teatro Maria Vitória, é das partes mais difíceis para o artista, por ser ele, "o actor, a dizer o texto, mas não defendido por um boneco. Encontrar as pausas foi difícil". "Manter a sobriedade também é complicado quando está tudo em histerismo, mas sinto que fui bem dirigido pelo Mário [Rainho] e gosto muito do meu trabalho".


"O Estado devia apoiar a cultura"


A polémica declaração de Passos Coelho em Janeiro de 2012, que dizia que a cultura deveria ser subsidiada pelos privados e não pelo Estado, levou os actores da revista "Lisboa Amor Perfeito" a criticar esta opção.

No entender de Carlos Cunha "a cultura tem de ser paga também pelo Estado, não só pelos privados. É preciso incentivar a cultura e apoiar a cultura de várias maneiras", opinião partilhada por Vera Mónica, que defende que "O primeiro-ministro não pode desincentivar a cultura nem acabar com coisas. Tudo tem de ser pago de acordo com a sua qualidade. Se o teatro de revista é o teatro que é dado ao povo, o Governo tem obrigação de ajudar, mesmo que minimamente, nem que seja só com publicidade, porque é o que o povo quer".


Para Flávio Gil, a solução pode passar por "rever a lei do mecenato para que os privados queiram ajudar a cultura e temos de criar condições para que os privados produzam mais e tenham mais receitas, para poderem sentir-se com vontade de apoiar a cultura com dinheiros que não lhes façam falta. Se os privados estão a falir, com certeza que não se preocupam com a cultura".


Nuno Pires pensa que "deve partir do Estado o apoio à cultura, porque um país que não tem cultura é um país que não tem identidade". "Eles não podem subsidiar tudo, mas acho que o Estado, ao não assumir essa responsabilidade, está a atirar um peso para trás das costas e esse é um erro muito grande", acrescentou. 

 

A revista está em cena com sessões às 21:30 de quinta-feira a domingo, com sessões extra às 16:30 ao fim-de-semana.

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