Mendo Castro Henriques estreia-se na ficção com "Vencer ou morrer"

Mendo Castro Henriques estreia-se na ficção com O historiador Mendo de Castro Henriques afirmou que o seu novo título, “Vencer ou morrer”, é “um romance épico, pois é uma homenagem à resistência extraordinária do povo português ao invasor napoleónico”.

“Vencer ou morrer” é o primeiro título de uma trilogia que “terminará com o advento do liberalismo em Portugal”.

Francisco Sodré, o protagonista da obra, é “uma personagem que existiu, que era o agente do Governo português junto do general [inglês] Wellington, mas não com todas aquelas actividades e tropelias que estão no romance”, afirmou o autor.
"Do ponto de vista da criação literária, este Sodré tinha uma visão panorâmica dos acontecimentos, estava no quartel-general e conhecem-se cartas dele, nomeadamente com D. Miguel Pereira Forjaz, o ministro da Guerra, que é de facto o organizador da vitória”, acrescentou.

Castro Henriques disse que procurou “inserir personagens num ambiente mais vasto e esse sim histórico”, acrescentando, "mesmo quando as personagens são históricas actuam em parte com as intenções que lhes conhecemos e outra parte imaginadas, mas que são verosímeis”.

“Vencer ou morrer”, que levou um ano a escrever, centra-se no período da presença das tropas francesas no território nacional, que foi “do Minho a Vila Real de Santo António”.

Mendo Castro Henriques afirmou que não deixa de sentir uma “certa amargura, em parte ultrapassada pela escrita deste livro”, pelo facto do bicentenário das invasões francesas – que se prolonga até 2014 – não ter uma verdadeira amplitude nacional, nem ter sido nomeada uma comissão nacional.

“Há umas comemorações aqui e ali, do Exército, e nuns municípios - Almeida, Torres Novas, Porto, Amarante, por aí – mas espantosamente não há um impacto nacional, e este foi um momento charneira da nossa história”, argumentou.
“O país passou do Antigo Regime para os primeiros lampejos de consciência cívica e participação das populações”, explicou.

Referindo-se ao impacto das guerras peninsulares, o autor chamou à atenção para o facto de, numa população de três milhões, “terem morrido duzentas mil pessoas entre vítimas dos combates, de doenças e de fome”.
“Parece inconcebível que um bicentenário desta grandeza não tenha uma comissão nacional, e se prefira relembrar o ultimato de 1890 que foi uma guerra perdida”, enfatizou.

“Por outro lado, há ainda uma memória popular e oral muito viva desses tempos, há pessoas que descendem de franceses e de ingleses que nos ajudaram na luta contra o Império de Napoleão”, referiu.
“Este romance é também uma tentativa de aumentar essa memória”, salientou.

O romance é editado pela Editora Objectiva, tendo o autor o segundo volume “semi-pronto”, e que cronologicamente irá até ao Congresso Viena (1814/1815), ao fim das guerras napoleónicas até culminar na invasão da França, e o terceiro volume irá até ao liberalismo (1823).

Referindo-se à actualidade da obra declarou: “Duzentos anos depois vivemos circunstâncias históricas em que se percebe que as Nações não querem abdicar do que têm de melhor que é serem comunidade, e serem livres, e estão à procura disso. Há 200 anos temos uma inspiração como uma Nação se libertou”, salientou.
(ES)

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