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Terça-feira, 07 Setembro 2010
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Encontro Pessoa-Crowley reeditado

"Apesar da sua figura circunspecta, Fernando Pessoa tinha um grande sentido de humor à inglesa, assim como o mago Aleister Crowley, e os dois fartaram-se de gozar com todas as peripécias em torno do suposto suicídio de Crowley", disse Miguel Roza.
"Encontro Magick, Fernando Pessoa - Aleister Crowley, seguido de A Boca do Inferno", reúne a correspondência trocada entre as duas personalidades em inglês, bem como iconografia e notas várias, e ainda uma novela policial inacabada escrita por Pessoa.
O livro foi editado pela primeira vez há nove anos pela Hugin Editores, editora entretanto desaparecida, sendo agora reeditado pela Assírio & Alvim.
"Trata-se de uma edição renovada e refrescada. Há uma arrumação diferente dos dados, está alinhada de uma forma mais didática", explicou.
A obra é apresentada dia 11, às 19:00, no Grémio Literário, ao Chiado, em Lisboa, por Richard Zenith e José Xavier Ezequiel.
"O encontro do poeta Fernando Pessoa com o mago Aleister Crowley em Lisboa foi rocambolesco. Foi um encontro entre duas pessoas muito fora do comum", disse Miguel Roza.
 O coordenador da reedição do livro considera que Fernando Pessoa "procurava toda a forma de conhecimento esotérico, desde a astrologia à maçonaria, e faltava-lhe a magia".
"Crowley era o maior mago do seu tempo, e mestre da associação para maçónica britânica Golden Dawn, e poderá tê-lo iniciado na maçonaria", sugeriu.
Roza referiu as "peripécias inventadas pelos dois [Pessoa e Crowley]" para dar veracidade a uma situação imaginada, segundo a qual Crowley se teria suicidado na Boca do Inferno, em Cascais.
"Telefonaram para a Polícia Naval, inventaram um bilhete, e até a cigarreira supostamente pertencente ao mago que teria sido encontrada pelo jornalista Ferreira Gomes era do meu pai", acrescentou.
A cigarreira foi comprada "algures em África, com uns motivos egípcios que também foram alvo de debate e especulação".
O pai de Miguel Roza era o economista e oficial do Exército Francisco Caetano Dias, que foi diretor da revista "Contabilidade", com a qual Pessoa colaborou.
A edição inclui o conto policial "A Boca do Inferno", uma novela policial inacabada de Pessoa que terá "ensaiado mais um heterónimo", referiu ainda Roza.
(ES)







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