O realizador é o seu filho Nicholas Oulman, que afirmou ter procurado dar a conhecer o avô aos seus filhos.
“Alain Oulman passou pelo mundo quase como um anjo, de tal forma as pessoas falam dele, afectuosa e carinhosamente", disse.
Amália Rodrigues, para quem Alain Oulman compôs temas como "Gaivota", "Fandangueiro", "Com voz", "Maria Lisboa" e "Erros meus", entre outros, referia-se-lhe como "um dos meus anjinhos da guarda".
"Antes de mais, é um filme, acho importante que um filme seja cativante, com princípio, meio e fim, que faça sentir qualquer coisa. Que o espectador seja capaz de se identificar com algo que se diga ou com uma emoção que se está a tentar transmitir", acrescentou o autor.
"O objectivo de um filme é para uma pessoa que está sentada numa sala viver e esquecer-se da sua vida e entrar naquele filme, ser levado por ele, ser cativado, e esse foi sempre o meu objectivo", realçou.
A história deste documentário não foi imediata, Nicholas diz chegou a ele por sucessivas sugestões de amigos, do seu produtor e da mulher.
"A ideia não surgiu de imediato, foi crescendo gradualmente. Comecei por querer fazer um filme de ficção sobre a história sobre um pai e um filho, acabei por me debruçar sobre a minha própria relação com o meu pai e comecei a ver percursos dele falando com a minha mãe e as pessoas, pois quando eu nasci ele já tinha 40 anos", disse.
Entretanto, Nicolas Oulman começara um outro projecto, com o Museu do Fado, que levou à catalogação de todo o material que existia relativamente ao seu pai e que levou à opção por realizar um documentário em vez de uma obra de ficção.
"Começaram a dizer-me que já era tempo de se fazer justiça a Alain Oulman, nomeadamente o meu produtor, e comecei a desenvolver a ideia, a estrutura do documentário", contou, referindo-se ao filme que não tem narrador e conta, através de vários testemunhos, como se se tratasse da história de uma personagem.
"Na realidade o meu pai era uma personagem, um homem que expressava o seu amor e humanismo através da música", considera Nicholas Oulman.
Alain Oulman nasceu no Dafundo, Oeiras, em 1928, numa família judia "mas que não ia ao templo", como atestam as suas irmãs no documentário, e faleceu em Paris em 1990.
A obra "não é um filme de cabeças falantes, mas antes procura enquadrar cada uma das personagens num período que foi importante e fascinante, o regime salazarista, a Primavera marcelista, o fim do regime", acrescentou.
“Honestidade, verdade e empenho foram qualidades com que Alain Oulman atraiu as pessoas cultas e de determinado nível intelectual", refriu.
A surpresa para o filho foi ver "a maneira carinhosa e afectuosa, quase 20 anos depois da sua morte, como as pessoas falaram dele [do pai], que está ainda à flor da pele, e de uma forma autêntica".
O documentário recorre a imagens de arquivo, designadamente de Amália, mas também a testemunhos das irmãs que tratam por Pitou, os actores Raul Solnado e João Perry, os escritores Catherine Clément e Amos Oz, o técnico de som Hugo Ribeiro, o editor discográfico David Ferreira, e o guitarrista Fontes Rocha, entre outros.
(ES)