A Fundação Saramago inaugurou no dia 10 de Agosto uma exposição em homenagem a Jorge Amado. Numa ocasião de literatura e boa disposição, a actriz brasileira Vera Barbosa leu textos e interpretou as canções baianas que marcaram a obra do escritor.
Teve lugar, ao final do dia 10 de Agosto, a sessão de inauguração da exposição de comemoração dos cem anos do nascimento Jorge Amado na Fundação José Saramago na Casa dos Bicos.
A inauguração contou com uma apresentação de capoeira dos Nação Arte Pura de André Vieira, seguida pela interpretação de músicas e leituras de textos de Jorge Amado por Vera Barbosa.
A exposição resultou de uma parceria da Fundação Jorge Amado na Baía e também com a Companhia das Letras.
A exposição, montada em apenas dois dias, nasceu de um pedido espontâneo feito há pouco mais de um mês, pela actriz brasileira Vera Barbosa a Pilar del Rio. “100 anos de Jorge Amado e não há nenhuma comemoração em Portugal?”
Foi este o pensamento de Vera Barbosa que a fez ir até à fundação Saramago e perguntar a Pilar o que achava da iniciativa.
Pilar simpatizou desde logo com a ideia, prontificando-se em entrar em contacto com a Fundação Jorge Amado na Baía e com a Companhia das Letras (que para a exposição cedeu inúmeros livros do autor). E foi assim que em menos de um mês a exposição foi montada.
Vera Barbosa conta-nos que sentiu que foi algo mágico a forma como as pessoas se entregaram ao projecto, interagiram e participaram. “Foi um contágio”, de acordo com a actriz.
Na cerimónia de inauguração Vera Barbosa interpretou as músicas dos livros de Jorge Amado, lendo também alguns dos seus textos. A actriz e encenadora brasileira, em conversa com o Hardmúsica, disse que todo oguião baiano de músicas e textos selecionados foram escolhidos inteiramente por ela.
Vera Barbosa, cantou de entre outros temas, “Gabriela Cravo e Canela”, “Marinheiro Só” e “É doce morrer no mar”.
Saramago e Jorge Amado tornaram-se grandes amigos a partir dos anos 80, segundo Pilar tratava-se sobretudo de uma grande “relação de fraternidade, eleita e não imposta”. Havia muitas ocasiões em que os dois escritores se encontravam, juntamente com outros amigos como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Betânia, e nas suas trocas de correspondência ambos chegaram a ironizar que seria melhor dividir o prémio Nobel entre os dois.
A exposição de livros, fotografias e cartas estará patente ao público, na Casa dos Bicos até 20 de Setembro.
Mafalda Jacinto