Michael O'Leary disse que "a concorrência entre Montijo e Portela seria boa para o consumidor"

quarta, 17 maio 2017 14:42 Escrito por 

O presidente da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou-se contra a exploração do novo terminal do Montijo seja explorado pela ANA Aeroportos, sugerindo que a mesma fosse colocada a concurso público.

O'Leary referiu que "a concorrência funciona. É como no futebol, aqui em Lisboa há o Benfica e o Sporting. Haver competição entre os dois é bom. Se só houvesse um clube não havia competição", afirmou Michael O’Leary, durante a conferência de imprensa desta manhã em Lisboa, e que, mesmo existindo um contrato de concessão assinado com a Vinci, proprietária da ANA Aeroportos. "É um dos poderes que governo português tem. Dizer: Não! Nós devíamos abrir o marcado à concorrência", salientou.

Se a ANA ficar com a gestão da Portela e do Montijo vão dizer: "Ohhh, precisamos de estudos ambientais" algo que, "pode demorar quatro anos", mas então deveriam tomar a decisão de "recuar e entretanto aumentar as taxas na portela", concluiu.

"A concorrência entre Montijo e Portela seria boa para o consumidor", afirmou, exemplificando o cenário semelhante ocorrido nos aeroportos de Londres.

Os aeroportos londrinos, que chegaram a estar todos sob a gestão da Ferrovial, situação que foi alterada de forma a promover a concorrência entre os aeroportos. O responsável explicou que "o monopólio de aeroportos numa capital não é bom, por isso a venda de Stansed e Gatwick foi forçada". O resultado disso foi que"estamos a assistir a um tráfego recorde tanto em Heathrow e Gatwick, como também em Stansed".

Quando confrontado com a inevitabilidade da gestão do terminal do Montijo ser atribuído à ANA, Michael O’Leary afirmou que tudo depende do Governo português, que tem a autoridade para alterar a situação.

O gestor frisou que “se o Governo entender, pode dizer que não e que pretende abrir a competição”, salientando que o monopólio da ANA está a levar ao atraso da abertura do novo aeroporto do Montijo, cujas obras devem arrancar apenas em 2019, considerando que “se fosse outro operador no Montijo, o aeroporto ia abrir mais cedo”. Exigiu ainda "queremos que o aeroporto do Montijo seja detido por outra entidade que não a ANA. Se for a ANA, que abra o mais cedo possível",. Para O’Leary, a ANA tem interesse em atrasar a abertura do novo terminal, subindo as taxas na Portela.

O empresário reforça a crença de que o Aeroporto da "Portela continua artificialmente limitada" deixando a sugestão que seja aumentado para 50 o número de movimentos por hora, actualmente fixado nos 40.

Sobre o estudo de impacto ambiental que está a ser realizado para o Montijo, O’Leary pergunta: "Estudo de quê? Já há um aeroporto com operação militar. É um bocado tarde para estudar o ambiente".

A viabilidade do terminal no Montijo requer a mobilização das companhias low cost, segundo o estudo da Roland Berger, que alerta para a necessidade de evitar a dependência excessiva de uma transportadora. No estudo encomendado pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre a validação de cenários de evolução da procura de tráfego e desenvolvimento da capacidade da infraestrutura aeroportuária de Lisboa, a consultora alemã identifica a Ryanair como a companhia aérea de referência em aeroportos secundários de cidades europeias, como em Bérgamo (Milão), Beauvais (Paris) e Charleroi (Bruxelas).

Até agora, a Ryanair foi a única companhia aérea que se mostrou disponível para transferir a operação para o Montijo.

Michael O’Leary revelou também que a Ryanair foi contactada por uma equipa comercial da TAP para o estabelecimento de uma eventual parceria.

A dita parceria, consistiria em alimentar as rotas de longo curso da transportadora portuguesa com passageiros oriundos de voos da Ryanair dentro da Europa. No entender do presidente da low cost, a rede da América Latina da TAP é um atractivo.

Para 2017, a companhia low cost prevê atingir os 10 milhões de passageiros, ficando mais perto de "atingir o objectivo de ultrapassar a TAP em dois ou três anos".

Durante a conferência de imprensa, a companhia deu também a conhecer as novidades para este Verão, com destaque para as seis novas rotas à partida de Lisboa para Bolonha, Glasgow, Luxemburgo, Nápoles, Toulouse e Breslávia (Polónia).

Também desde Lisboa, a Ryanair volta a contar com voos para Berlim e para a ilha Terceira, neste caso com voos aos domingos, segundas, quartas e sextas-feiras, numa operação sazonal, com voos previstos até ao fim do Inverno de 2018.

Outra das novidades é também a rota Ponta Delgada-Frankfurt, numa operação que vai contar com voos aos sábados durante o Verão, sendo possível que estes voos se mantenham também durante o Inverno.

No total, a companhia espera um crescimento de 13% em Lisboa, onde a previsão de passageiros é de 3,2 milhões para 2017.

Por seu lado na Invicta, o crescimento deve atingir os 12%, com quatro milhões de passageiros, enquanto Ponta Delgada deve crescer 16%, para 400 mil passageiros. Faro deverá registar o maior crescimento, cerca de 22%, com a companhia a estimar 2,5 milhões de passageiros.